Suplemento alimentar · caixa de 10 cápsulas
Cápsula, comprimido ou pó: o que muda na forma
A forma de um suplemento parece um pormenor de embalagem. Na verdade decide quantos ingredientes extra entram na fórmula, como o produto se conserva e se dois rótulos são sequer comparáveis.
A cápsula: um invólucro que se enche
Uma cápsula dura é composta por duas metades que encaixam uma na outra. O pó é medido e cai lá para dentro; nada é prensado. É por isso que uma cápsula precisa de menos ingredientes auxiliares do que um comprimido.
O que a cápsula exige é um pó que corra bem. Um extrato seco fino tende a agregar-se e a parar a máquina de enchimento, e por isso leva um agente de volume e um antiaglomerante — duas linhas que aparecem em quase todas as listas.
De que é feito o invólucro
O invólucro clássico é de gelatina. Existe também a alternativa de celulose, normalmente indicada como HPMC, usada em produtos declarados vegetarianos ou veganos.
Na prática este é o dado mais fácil de verificar num rótulo e o que mais vezes contradiz a publicidade: se a lista de ingredientes disser gelatina, a palavra «vegano» na frente da caixa não pode estar certa.
O comprimido: pressão e mais excipientes
Um comprimido é pó comprimido sob pressão elevada. Para aguentar essa pressão e depois desfazer-se no sítio certo, a mistura precisa de ligantes, desagregantes e lubrificantes.
A consequência está à vista na lista de ingredientes: a mesma quantidade de ativo num comprimido costuma vir acompanhada de mais linhas do que numa cápsula. Não é sinal de má qualidade; é o que a forma exige.
O revestimento e o brilho
Muitos comprimidos levam ainda uma película de revestimento. Serve para facilitar a deglutição, mascarar o sabor e proteger a superfície, e acrescenta mais duas ou três linhas ao rótulo.
Quando na frente da caixa se lê «sem corantes» e no verso aparece um agente de revestimento, não há contradição — mas vale a pena saber que a película também é um ingrediente.
O pó solto e a saqueta
O pó a granel é a forma com menos acrescentos possível: pode literalmente não ter mais nada além do ingrediente. Em troca exige uma colher doseadora e uma pessoa disposta a usá-la todos os dias.
A saqueta resolve a dosagem, mas quase sempre traz aromatizantes, acidificantes ou edulcorantes, porque um pó vegetal dissolvido em água raramente sabe bem. A forma que parecia mais «limpa» acaba a ter a lista mais longa.
Líquidos, gotas e conservação
As formas líquidas resolvem o problema de engolir, mas abrem outro: um líquido precisa de ser conservado depois de aberto, e por isso leva conservantes ou uma percentagem de álcool.
É também a forma em que a data de validade depois da abertura conta mesmo. Num blister, cada cápsula está isolada até ser retirada, o que é uma vantagem discreta e raramente publicitada.
Porque é que o blister importa
Um blister protege cada unidade da humidade e da luz até ao momento em que é destacada. Um frasco, pelo contrário, é aberto todos os dias e o conteúdo apanha ar de cada vez.
Para produtos higroscópicos — e muitos extratos secos são — essa diferença é prática e não teórica: um pó que absorve humidade empedra e perde a forma.
Quantas unidades por dose diária
Uma forma decide também quantas unidades é preciso tomar. Num extrato concentrado cabem 200 mg por cápsula sem dificuldade; num pó não concentrado, a mesma quantidade de matéria-prima exigiria várias cápsulas por dia.
É por isso que a dose diária recomendada aparece em unidades e não só em miligramas. Duas embalagens com o mesmo número na frente podem pedir uma cápsula por dia ou quatro, e a diferença sente-se tanto no hábito como na conta.
Comparar duas formas sem se enganar
A comparação só funciona ao nível da dose diária. Duas cápsulas de 200 mg e um comprimido de 400 mg entregam a mesma quantidade de ativo, mesmo que os números da frente da caixa pareçam diferentes.
O passo seguinte é o preço por dose diária, e não por embalagem: as embalagens raramente coincidem em tamanho, e é aí que se perdem as comparações apressadas.
O que continua a ser o mesmo em qualquer forma
A forma não muda o que está declarado: o nome latino da espécie, a parte utilizada e a quantidade por dose diária. Esses três dados são os que permitem saber o que se está a comprar.
O nome da espécie pode ser confirmado em segundos no MycoBank, no Species Fungorum ou no Catalogue of Life. É a verificação mais barata que existe e quase ninguém a faz.
Fontes
- MycoBank — registo de nomes de fungos
- Species Fungorum
- Catalogue of Life
- Sociedade Portuguesa de Micologia
- First Nature: <i>Ganoderma lucidum</i>
- MushroomExpert.com
- Royal Botanic Gardens, Kew — Science
- Encyclopaedia Britannica: Fungus
- PubMed — publicações sobre <i>Ganoderma lucidum</i>
- Frontiers in Microbiology
- Woodland Trust: fungos e líquenes
- FAO — Organização para a Alimentação e a Agricultura
- DGAV — Direção-Geral de Alimentação e Veterinária
- Registo da UE de alegações de saúde